O banho monárquico

«ALGUIDARES!» gritou o Rei batendo com a mão na tábua da mesa
«Alguém me traga uma celha para darmos um banho a esta bela Princesa!» A Princesa era bela de facto, gostosa de olhar e suave ao tacto
Mas o cheiro era insuportável e naquele cabelo piolho era mato

Enfiou-se a princesa no pote, pegou-se na escova e esfregou-se com jeito
Mas depois de muito esfregar, aquele bedum… nada feito
O rei decidiu então abrir um concurso para a banhada
Casaria com ela o prí­ncipe valente que a deixasse lavada

Logo veio, belo e formoso, o prí­ncipe do pais vizinho
O rapaz meteu mãos a obra e cedo se viu que tinha jeitinho
A princesa que não se importou e até gostou de assim ser esfregada
Para o belo prí­ncipe se virou e a todos gritou «estou apaixonada!»

No meio de tanta comoção, canções, festas e palmas
Os cavaleiros do prí­ncipe tomavam o castelo nas calmas
A princesa casou, o prí­ncipe tomou a coroa na mão
O rei destronado, triste e roubado foi dar banho ao cão…

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O homem mais perigoso de Portugal

 Paulo Portas

Digam olá, ou talvez “Sieg Heil” ao homem mais perigoso de Porrtugal. Um homem que vem de um partido que teve uma votação insignificante nas útlimas eleições, mas que mesmo assim chegou a ministro da defesa (como é que funciona a democracia mesmo?).

Este homem tem todos os sinais de um ditador. Não o deixem chegar onde quer!

Obrigado.

[tags]paulo,portas,nazi,ditador[/tags]

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Cars are cars

O Paul Simon tem uma música no “Hearts and bones” chamada “Cars are cars”, que diz qualquer coisa como:

Cars are cars
All over the world
Similarly made,
Similarly sold.

É pois aqui que entra o meu grande dilema!

É que quero comprar um carro novo. Isto, de preferência, antes do Punto se desfazer em puro pó. Pó italiano, por certo, mas pó.

O Punto tem nove anos, a bom caminho dos dez e, embora seja sem dúvida um carro de confiança, está velho. Não há como escapar: embora venha sempre impecável das mãos do Sr. João quando vai à revisão, pouco demora a desafinar; a direcção fica solta, a caixa de velocidades é um pesadelo, o travão de mão trava mal.

Além disso a capa da embraiagem recusa-se a ficar colada, o que oferece um pedar de metal lisinho e escorregadio, especialmente mau se tenho as solas dos sapatos molhadas, para não falar da pintura do tejadilho que, após várias toneladas de caca de pombo (malditas ratazanas aladas), está toda corroída.

Bom, o grande dilema é mesmo este: eu quero um Volkswagen Polo. Porque sei que a VW é uma boa marca, com carros com um bom valor e boa construção e também porque gosto à brava do design do carro.

E é uma porra, porque eu não gosto de carros feios! E os carros mais baratos são feios, como é óbvio. Ou… mais ou menos óbvio, pelo menos.

Bom, então agora o problema é que a VW, sendo o que é, é também cara cuma porra. O que me levanta as mais variadas dúvidas.

Valerá a pena gastar mais dinheiro num carro só porque é da Volkswagen?

E quais são as minhas opções? Bom, pelo mesmo preço de um Polo básico, se calhar compro um Fiat Punto todo artilhado, a verdade é essa. Se calhar compro um Ford Fiesta porreiro. Valerá a pena considerar o Civic, que está a ser vendido pela Honda sem juros? E o Nissan Micra, é só esquisito ou é giro? Dos Peugeot 307 não consigo gostar, a minha irmã tem um e acho-o especialmente feio… um exagero estético sobre o modelo anterior (não me lembro do nome), que era um carro giro e agora… não é.

Bom, portanto há várias hipóteses, sendo, claro, que não vou comprar um Audi, nem um BMW.

Portanto aceito sugestões.

3 comentários

Thirty

Tenho trinta anos.

E pronto, não há nada a fazer. Acabaram-se os vintes, venham os trintas.

Isto é tudo a mesma coisa, anyway.

[tags]aniversário[/tags]

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É estranho lembrar

É estranho lembrar-me assim de coisas que ainda não aconteceram.
Normalmente isto não se passa, mas de vez em quando tenho memórias ní­tidas de coisas que nunca aconteceram e que suponho sejam visões do futuro.
Não acredito em fantasias de vidência ou horóscopos, percepção extra sensorial e cartomancia. O que é facto é que sou assaltado, se bem que ocasionalmente, por estas imagens etéreas de acontecimentos que acredito serem futuros.
Não são acontecimentos particularmente importantes nem esclarecedores, são só cenas isoladas de pessoas que não conheço a fazerem coisas vulgares em sí­tios onde nunca estive. Mas vou lá estar. Não seria possí­vel a minha memória guardar recordações de coisas e lugares que não conhecerei.
Não fiz nada de especial hoje e isso irrita-me.
Passei o dia todo em branco. Fartei-me de ver televisão, o que, para mim, é a actividade mais inútil do mundo, não saí­ í  rua nem por um minuto.
Não é estranho?
Não sair, de todo, í  rua?
Nos dias em que não saio í  rua e também não faço nada de especial em casa parece-me que não existi. Como se tivesse consciência do meu próprio corpo, uma consciência maior das suas necessidades, da fome, do sono, da vontade de urinar, mas não uma consciência de mim próprio. Como não sou religioso, esotérico, cientí­fico ou coisa nenhuma, a não ser, eventualmente, céptico, não consigo explicar bem o que sinto. Como não tenho (na minha opinião), alma ou espí­rito ou self ou seja o que for, não consigo definir bem aquilo de que não tenho consciência. Por isso digo que não tenho consciência de mim próprio e acho que se percebe bem o que quero dizer.
Agora são para aí­ cinco da manhã e estou outra vez acordado, sem fazer nada.
A diferença em relação a um dia normal é que não estou a alambazar-me com comidas excessivamente gordurosas que aumentam a minha autoconsciência fí­sica, nunca fazendo nada, porém, para alimentar qualquer sensação de mim próprio.
Continuo a não existir.
No fundo é um grande incómodo, é como ter um aborrecido animal de estimação ou um aví´ muito velho, que esteja dependente de nós 24 horas por dia. Tenho que tratar do meu próprio corpo, sem compreender porquê, uma vez que não consigo jurar a pés juntos que eu de facto exista.
Parece-me que estou a ficar com sono.
Não tenho amigos. Não se trata de auto-piedade, simplesmente constato um facto: não tenho amigos.
Será que me sinto só?
Solitário?
Nesse caso, será que a solidão tem alguma responsabilidade neste meu não existir?
Às vezes ponho-me a pensar nas coisas mais estranhas e fico aborrecido porque não arranjo resposta para as minhas perguntas. Porque será que os escritores escrevem em capí­tulos? Não era preciso. É estranho pí´r capí­tulos assim nas coisas, nas histórias e nas vidas dos personagens e das famí­lias e amigos deles. E inimigos, também, í s vezes há inimigos.
Se calhar se tivesse alguém com quem conversar não passava tanto tempo a pensar nestas coisas. Mas são preocupantes, acho eu. Acho que mesmo uma pessoa rodeada de gente com quem falar provavelmente se preocuparia com esta coisa dos capí­tulos e outras coisas com que também me preocupo.
São seis e meia e detesto ver o Sol nascer.
O tempo é realmente uma coisa que não se recupera, não volta para trás e frases-cliché desse género. Mas choca-me profundamente aperceber-me de que perdi uma noite. Que ela fugiu.
Sento-me, espantado, na beira da cama e olho lá para fora para aquele elipsóide amarelado que surge lentamente no horizonte e não me parece possí­vel que a noite já tenha chegado ao fim, afinal, onde se meteu?
Vou vestir a gabardina e pí´r o chapéu que me deu a minha avó, que é capaz de estar frio a esta hora. Acho que vou dar uma volta pela cidade.
Mas se calhar não é boa ideia. Enfim, corro os meus riscos, vou mesmo…

[tags]conto,short,story[/tags]

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