Steve Vai ao vivo na Aula Magna

Ontem tivemos duas reuniões, hoje mais duas. Umas mais interessantes que outras, como de costume, mas no geral, todas importantes.

Mas que se lixe tudo isso… hoje fui com o Nelson ver o Steve Vai em concerto na Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa. Caiu-me o queixo (aliás, ao Nelson também)… este tipo não sabe tocar guitarra… não… ele parece simplesmente que inventou a porcaria do instrumento!

Como sabem (ou não), o sustain é daquelas “habilidades” aparatosas que os bons guitarristas gostam de fazer. É que quando se toca uma nota numa guitarra, normalmente o som desaparece passados uns segundos. O Santana era conhecido pelo longo sustain (agora é conhecido por ser um bocado foleirão e ganhar prémios por isso)… porém, vejam o que fez o senhor Vai: tocou uma nota, claro, é aí­ que começa.

A partir daqui esqueçam a mão direita, porque ele não volta a tocar nas cordas com a mão, com a palheta ou com seja o que for. Mas a nota não pára. Não pára mesmo. Então ele passa a guitarra por trás das costas e a nota não para. Então ele tira a guitarra do ombro e segura-a í  frente, virada para nós mas a nota não para de soar, sempre clara e lí­mpida. Depois ele resolve pousar a guitarra no chão… a nota treme um bocado, claro, mas não pára… o facto de tremer, aliás, só nos indica que a guitarra está MESMO a produzir o som, não há truques, não é um pedal, não é uma gravação. E não pára… ele resolve trocar de mão e fica, dobrado para a frente com o indicador da mão direita a pressionar a corda que ainda não parou de soar.

Como não bastava, o senhor resolveu de seguida que, sem parar a nota, nem voltar a tocar a corda, queria carregar na corda com o pé, portanto trocou a mão pelo pé, pela ponta de uma bota, tipo cowboy… e a nota não parou todo este tempo.

Continuava a nota a tocar, com a ponta da bota a carregar na corda… para “facilitar”, ele resolveu por-se a tirar o casaco longo que tinha vestido… Foi com o casaco que tocou o último acorde.

Fica-se parvo a olhar para isto. Se calhar para quem não grama guitarradas ou guitarristas ou sequer guitarras nada disto faz sentido, mas muito sinceramente, acho que este foi o melhor concerto que já vi.

A certa altura o baterista ficou sozinho em palco para um solo… e pronto, claro… não havia músico na banda que não fosse de longe acima da média, por isso o solo foi simplesmente fabuloso. O homem í s tantas já tocava de braços cruzados.

A certa altura começou a fazer um roll na tarola, mas só com uma mão.. trrrrrrrrr… e como se não bastasse, baixou-se por trás da bateria e voltou com uma garrafa de água, bebeu um bocado, molhou-se e tal, tudo, claro, sem parar o roll… que cromos.

Como se tudo isto não bastasse, o concerto demorou quase três horas e teve tudo, temas novos, temas antigos, solos, eléctricas, acústicas, solos de bateria, solos de baixo, solos de teclas, duelo de guitarra (com o convidado Eric Sardinas que tocava em estilo blues com slide) e até partes mais maradas com tudo í s escuras e guitarras luminosas ou uma longa conversa com o público em que o Steve Vai gozou com o Ricky Martin í  força toda, quando disse que as (pouquí­ssimas) raparigas que ali estavam tinham sido arrastadas pelos namorados e preferiam ter ido ver o dito :) Até parece que era verdade pelo menos para uma delas que se levantou e aplaudiu com grande estrilho o nome do foleirão sul americano.

Pronto… podia ficar para aqui a descrever infinitamente a parte em que o Vai e o Sardinas tocaram a guitarra um do outro, pelas costas, ou o segundo guitarrista e os bailes que deu a tocar guitarra com uma mão e teclas com a outra, os solos intermináveis tocados a uma velocidade e precisão alucinantes, mas não… ficou por aqui… não foram ver? Paciência.

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