Tareia de Metal

Alyssa White Gluz
Alyssa White Gluz

Dia do oitavo concerto do ano e desta vez foi uma experiência daquelas que se tem em jovem, mas que eu nunca tinha tido assim: mosh í  bruta. Embora tenha estado nalguns concertos em que houve alguns empurrões, numa altura em que eu ficava muito ofendido com isso, nunca tinha passado por esta brutalidade avassaladora durante horas a fio.
Cheguei cedo í  plateia do Coliseu e coloquei-me ao centro e í  frente, com pouco mais de 2 ou 3 pessoas entre mim e a grade. Tinha a intenção de ver as bandas como eu gosto: de perto.
As hostilidades abriram com uma banda de goth metal, Unto Others, que pouco aqueceu a multidão, embora não fossem maus de todo.

Unto Others
Unto Others

A música começou por volta das 7 da tarde, já que iam actuar quatro bandas, num crescendo de popularidade, até ao culmino dos Arch Enemy. Até aqui, tudo bem, embora tenha entrado no Coliseu já ciente de que não levara os tampões para os ouvidos, apesar de ter estado com eles na mão antes de sair. Bom… foi uma questão de aceitar.
Depois de um intervalo de uns 20 minutos, os ventos metálicos mudaram radicalmente, com a subida ao palco dos britânicos Carcass. Antevia-se uma frente de agressividade, com laivos de mixórdia de carnificina, levando a aguaceiros de metaleiro, mas o que realmente recebemos foi um furacão de machos de tronco nu e cabeleira desenvolta, com constantes arremessos humanos por sobre a multidão.
Crowd surfers constantes, muitos com bons 80/90 kg, a voar por cima das nossas cabeças, enquanto tentávamos não levar um biqueiro nos cornos.

Carcass
Carcass

À minha frente estava uma famí­lia de pai, mãe e filha de 15 anos, bem como um tipo de 40 e picos e respectivo pai de 70 anos com um pé magoado. Malta mesmo bem posicionada para levar com a investida imparável de dezenas de jovem hirsutos, desejosos de soltar a sua fera anti-sistema.
Fiz o que pude para me manter vertical, evitar os ditos biqueiros e — dentro do possí­vel — ajudar a escudar as filas da frente. A dada altura, os seguranças convenceram a criança a sair dali e terminar de assistir ao espectáculo num lugar menos… metal.
No intervalo seguinte, havia algum consenso entre a malta mais próxima da minha faixa etária que as duas bandas cabeça de cartaz — Behemoth e Arch Enemy — trariam outro tipo de assentimento craniano, ao ritmo da música e menos voos acrobáticos, qual Cirque du Soleil satânico.
Errado, claro.

Behemoth
Behemoth

Os Behemoth, polacos do death metal, avançaram com uma entrada pausada e teatral, mas assim que arrancou o “Ora Pro Nobis Lucifer” foi a loucura total.
Já se percebeu que levei porrada, muita porrada. Mas mais uma vez se percebeu, também, que esta malta do metal é uma irmandade curiosa: sedentos de sangue metafórico, mas umas jóias de moços (e algumas moças). A única vez que acabei por cair nos vai-vem de empurrões multitudinais, dei por mim levantado, quase de imediato, por uns quatro pares de braços. In nomine metallum!
Na última música, Nergal e seus co-conspiradores assomaram-se da boca de cena e cuspiram sangue sobre a multidão. Estava fechada a terceira actuação e, mais uma vez, a malta convenceu-se que a natureza mais melódica da última banda levaria í  acalmia das hostes e algum descanso para a frente de combate. A minha t-shirt estava absolutamente ensopada em suor e a cara e as mãos devidamente marcadas pelo sangue ante-mencionado.

Behemoth

A cortina entre bandas anunciava “pure fucking metal” e, confesso, as minhas costas já ardiam mais do que depois de uma sessão de treino com o Dorian Yates, mas tinha ido para ver Arch Enemy e não ia deixar acabar a noite sem ver a Alyssa White Gluz de perto.
Dito e feito.

Arch Enemy
Arch Enemy

Já sem surpresa, aguentei as primeiras 3 ou 4 músicas dos Arch Enemy, sob um mar de encontrões e navegadores de multidão até, finalmente ceder. Lamentavelmente, a banda não tocou nenhuma das minhas três músicas preferidas, todas do álbum “Anthems of Rebellion”, a saber: “We Will Rise”, “Dead Eyes See No Future” e “Marching On a Dead End Road”. Uma pena, mas não se podia pedir tanto, suponho, são músicas com quase 20 anos.No final, trouxe a t-shirt da praxe e encontrei dois amigos, com quem acabei por estar na conversa até í  uma e tal, já na rua.

E assim sendo, este ano já vi José González, Skunk Anansie, New Pagans, Russian Circles, Helms Alee, Process of Guilt, The Ocean, Psychonaut, PG.Lost, The Smile, Sigur Rós, Unto Others, Carcass, Behemoth e Arch Enemy. O que se segue?

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Eu não estou bem

Fiz um cartoon. Chama-se “Eu não estou bem”. É um novelo de ironia.

Eu não estou bem

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Saucony Liberty ISO

De há umas semanas para cá, não conseguia correr sem voltar com os pés todos esfacelados, na parte interior. Embora tenha feito, há muitos anos, uma análise de passada que me definiu como neutro, desconfio que haja uma pronação, mesmo que subtil, que acaba por causar este problema.

Quando me queixei do assunto, a Dalila sugeriu que os meus sapatos actuais estivessem velhos. Não parecem estar, de facto, porque têm ainda óptimo aspecto. Mas a verdade é que os Nike Air Zoom Pegasus 36 Hakone (granda nome), já ultrapassaram os 600 km. Isto da durabilidade dos sapatos de corrida tem muito pouco a ver com o aspecto com que ficam e muito mais a ver com o desgaste que não se nota, nomeadamente no que toca í  perda de elasticidade ou de amortecimento da sola.

Bom, altura de encontrar substitutos. Como não sou nenhum pro, gosto de procurar sapatos bem cotados, que me pareçam adequados a mim e não custem 200 euros. Isto porque gastei 160 e picos em cada um de dois pares de Asics, um rendeu-me 1000 km, mas o outro era insuportável para correr, dando-me sempre dores nos tornozelos e só consegui fazer 98 km com eles.

Decidi também, desta vez, optar por uns sapatos com mais suporte interno, para tentar compensar a ligeira pronação de que suspeito. Foi assim que cheguei aos Saucony Liberty ISO.

Eize-lios:

Foto dos Saucony Liberty ISO

Existe uma nova versão destes sapatos, os ISO 2, mas este é um dos melhores truques para comprar sapatos mais baratos: esperar pela versão nova e comprar a anterior. Estes Saucony custaram €95, na Amazon espanhola e chegaram num instante.

O que mais me surpreendeu nestes sapatos foi o conforto imediato, quer ao calçá-los, quer a começar a correr. Assim que arranquei, foi quase como se sempre tivesse corrido com eles e embora tenha sentido diferença para os Nike, não foi um choque.

Senti bastante apoio em todo o pé, bem como uma resposta simpática, na passada. Sem dúvida, fruto de serem novos, mas também por serem leves e simples. A tracção é excelente, o que me ajudou a fazer mudanças de direcção e subidas com mais facilidade a que tenho estado habituado.

Os atacadores são, talvez, um pouco curtos, sobretudo usando o nó do corredor, mas como tenho pés muito estreitos, não me incomodou. Poderá ser um problema para quem tenha patinhas mais largas. Finalmente, pareceu-me ter corrido com menos pronação, com o pé a assentar mais direito, graças ao apoio mais rí­gido no arco do pé, mas não garanto que não tenha sido placebo.

Seja como for, senti-me super estável e cheguei a casa, em cada uma das três saí­das que já fiz com eles, sem qualquer dor, bolhas ou feridas na parte interna dos pés, como já era hábito. Por menos de 100 euros e para um corredor como eu, que corre nas ruas, 2/3 vezes, 10/20 km por semana, não podia ter pedido melhor.

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Throwing Rocks at a Wall

Lembro-me, vagamente, de ter começado a fazer música no meu computador, em casa dos meus pais, usando o Cakewalk e uma SoundBlaster AWE32. Antes disso, umas experiências com Amiga mods, mas sem nunca ter tido um Commodore… Ao longo dos anos, fui sempre brincando com música e as ideias foram-se acumulando e sendo transferidas de computador para computador, de software para software, sem grande objectivo.

Algures nos finais de 2019, decidi investir mais a sério em terminar e lançar músicas. Comprei a versão 11 do Reason, o meu software de eleição para produzir música e, ao longo dos meses de 2020 fui também adicionando í  minha colecção vários plug-ins da Waves. A certa altura, tinha 25 músicas em diversos estados de desenvolvimento e comecei a pensar seriamente em lançar um álbum.

Hoje em dia, é fácil lançar um álbum para os serviços de streaming. Coisas como o Distrokid (que acabei por usar), pegam na nossa música, descrições, letras, capa e disponibilizam a milhões de pessoas, praticamente de um dia para o outro. No fundo, tal como publicamos fotos ou textos, podemos publicar música com o mundo, sem agentes, representantes e editoras. É óbvio que o alcance é muito diferente, mas se eu fazia música para partilhar com três amigos e agora consigo partilhar com 100… já é bastante entusiasmante.

O álbum chama-se, então, “Throwing Rocks at a Wall” e está publicado sob o nome “The Insolent”, um throwback aos anos 90 e ao cognome que o meu amigo Paco me pí´s e do qual me lembrei quando comecei a publicar NFTs (uso o mesmo nome para arte digital). O tí­tulo surgiu como a música: por acaso, a brincar; começo quase sempre com acordes, depois vou experimentando melodias, í s vezes adiciono guitarra, outras, não chego a sair do computador. Mas foram todas feitas com muito gozo, muitas horas passadas a experimentar coisas, muitas mais a misturar e remisturar, a ouvir no telemóvel, no carro e nas colunas da sala a tentar aprender vários novos skills para tentar que tudo ficasse a soar bem.

Acho que consegui, gosto de ouvir a minha própria música e acho bestial que algumas pessoas me digam que gostaram muito da Lost Abilities (parece a preferida até agora), ou de outra música que lhes saltou mais ao ouvido. Mas também acho piada a receber dislikes no YouTube, ou haver pessoas que não gostem particularmente de nada. Sinto uma ligação muito pessoal com estas músicas e sei que vieram todas do prazer de as fazer. Literalmente, amadoras.

As músicas

O álbum tem nove faixas, embora originalmente tivesse 11. Achei que ficava mais composto com estas nove, que me parecem fazer um bom fluxo de umas para as outras. Passei algum tempo a ordená-las e reordená-las para me fazerem sentido em sequência. São 57 minutos de música instrumental, com algumas samples de voz e duas intervenções minhas. Mas não se preocupem, não canto.

As três primeiras músicas, Handmade, Rising e I Walk Alone incluem guitarra e um final de bateria tocada por mim (com horas e horas de correcções í  unha :P). Rising é também a faixa mais recente de todas, sendo que já tinha 10 músicas alinhadas quando uma manhã de um fim de semana qualquer comecei a produzir esta, que acabou por ficar no álbum em detrimento de outras duas.

Na faixa I Walk Alone, o breakdown de piano é acompanhado por uma gravação que fiz num passeio a pé e í  chuva, no dia 20 de Agosto de 2020, na Serra da Estrela.

De férias com a famí­lia, em pleno Agosto, choveu o tempo quase todo e a certa altura já ninguém queria ir a lado nenhum. Portanto, eu fui fazer uma caminhada pelos montes em redor de Linhares da Beira. A certa altura, lembrei-me de pegar no telefone e gravar o som dos meus passos e da chuva. É mais uma demonstração de como, nos nossos tempos, basta ter um telemóvel no bolso para capturar som que pode servir para um projecto. Não é uma gravação super mega profissional, mas funciona.

Da mesma forma, a faixa Silver Dust termina com passarinhos. Foram gravados há não muito tempo, dia 7 de Março de 2021, num passeio a pé por Almada. Já o discurso de Sir Winston Churchill é mais famoso que qualquer passarinho.

Em Lost Abilities e The Female Form, ouve-se a minha voz. No primeiro, um discurso improvisado, com tudo o que isso implica de pensamentos cruzados e hesitações; no segundo, um poema de Walt Whitman, retirado da sua obra “The Body Electric” e livre de copyright (ajuda).

Para The Female Form, tinha uma melodia de trompete, tocada num sampler, mesmo para dar aquele toquezinho chique-piroso, mas soava tão falso que me irritava, sempre que o ouvia. Então decidi ir até ao Fiverr, mais um serviço incrí­vel dos tempos modernos. Aí­, o trompetista Oli Parker gravou-me umas melodias que acabei por usar de forma completamente diferente, na música. Por pouco mais de €30, tinha trompete na música.

This Here Drum Machine nasceu de ter comprado uns packs de samples e não saber o que fazer com eles. Comecei a brincar e acabei por fazer uma coisa í  volta de sons de bateria programados. Nenhum deles veio do sample pack, mas o break de flauta sim!

Finalmente, as duas últimas faixas fazem uma espécie de conjunto para fechar o álbum: Black Stone e Walk. A primeira refere-se ao voo até í  Lua e a segunda, aos primeiros passos na mesma. São faixas mais “espaciais” e incluem gravações dos astronautas, disponibilizadas pela NASA no seu arquivo. Tal como no caso do discurso de Churchill, fiz os contactos possí­veis para me certificar que as samples podiam ser usadas, mas não obtive resposta.

Resta-me convidar-vos a ouvir a música, partilhar com amigos, deixar likes, ou mesmo dislikes. Espero que algumas pessoas por aí­ achem piada porque a mim deu-me muito gozo fazer e, sobretudo, publicar.

Está também disponí­vel em vários outros serviços que nem conheço, portanto se não usam nenhum dos acima, é pesquisar pelo tí­tulo e ver o que aparece. :-) Também me podem seguir nas novas contas The Insolent, no Twitter e Instagram.

Já comecei o próximo álbum…

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As Melhores Batatas Fritas Na Actifry

Há muitos anos que uso a Actifry, da Tefal, para várias coisas. Mas, sobretudo, para fazer batatas fritas congeladas sem ser preciso lidar com uma fritadeira cheia de óleo — onde a guardar, onde deitar fora o óleo velho, etc. Mas nunca tinha realmente investido em fazer as melhores batatas fritas na Actifry… usando batatas cruas.

As Melhores Batatas Fritas Na Actifry

Não quero estar com demoras, portanto o truque é este: cozer as batatas primeiro. Mas não é só cozer, í  balda, o processo é o seguinte:

  1. Lavar e/ou descascar as batatas (eu gosto com casca e ainda por cima, poupo tempo).
  2. Cortar as batatas em palitos, o mais consistentes possí­vel em termos de grossura.
  3. Lavar as batatas até a água deixar de ficar turva.
  4. Ferver uma panela de água com sal (eu ponho três “montinhos”) e uma ou duas colheres de sopa de vinagre (eu vou para o mais do que para o menos). — O sal vai salgar as batatas “por dentro”, em vez de só superficialmente e o vinagre vai ajudar as batatas a ficarem flexí­veis, em vez de se esborracharem todas.
  5. Deitar as batatas na água e, quando levantar fervura novamente, contar 8 minutos. Tirar uma batata e verificar se se consegue pegar numa ponta e abanar levemente, sem partir — quando estiverem assim, estão boas.
  6. Escorrer as batatas e deixar evaporar o máximo possí­vel de água (enquanto estiver a sair vapor í  bruta… esperar).
  7. Colocar as batatas na cuba da Actifry e regar generosamente com óleo. As batatas cruas não têm óleo nenhum ao contrário das congeladas/pré-fritas, portanto convém que tenham o suficiente para as envolver todas e ainda deixar um filmezinho no fundo da cuba.
  8. Ligar a Actifry e ir vigiando. Varia muito consoante a quantidade, mas uns bons 20 minutos a meia hora, costuma ser o mí­nimo.

E pronto, tá feito. No fim é secar com papel de cozinha, pí´r sal por cima e comer. Claro que há muitas variantes a considerar, tanto depois de cozinhadas, ou quando são colocadas na fritadeira, as batatas vão bem com alho em pó e paprika fumada, por exemplo. Ou com alho esmagado e alecrim. Ou com o que vos apetecer experimentar!

Bom apetite.

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