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    Em 2008, passei o ano no coito

    January 5th, 2009 by Pedro Couto e Santos

    Porque é que existe “coito” no jogo da apanhada? Alguém sabe? Coito não é o acto sexual entre dois animais?

    Se eu soubesse na altura o que sei hoje, sempre que joguei à apanhada, teria ido para o coito e lá ficaria.

    Tudo isto para dizer que 2008 foi um ano fodido, mas bom. Que é como se quer um coito.

    O nível de cansaço, neste último ano, ultrapassou tudo o que eu imaginava ser possível, o que me mostra que tenho muito pouca imaginação para estas coisas e que nem me passa pela cabeça o que é estar mesmo, mas mesmo, mesmo muito cansado. Ainda assim, é espantosa a quantidade de posts que fiz durante 2008 mencionando o quão cansado estava.

    A cidade esteve revirada com as obras do Metro do Sul do Tejo que ficaram prontas a tempo, com os comboios a circular pela cidade (e pelo Concelho), no final de Novembro.

    O Tiago iniciou o ano com 77 cm e terminou-o com 90, aprendeu a andar, a fazer construções, a comer sozinho, a resolver puzzles simples, a dar beijinhos e um milhar de outras coisinhas que, apesar de pequenas, nunca deixaram de nos surpreender.

    O que não aprendeu e teima em não aprender é a falar. Aproxima-se rapidamente dos dois anos sem soltar uma palavra. Bom, ele diz mamã, embora muitas vezes diga mamamã, ou mamamamã, o que não me convence que esteja efectivamente a tentar dizer o que achamos que está a tentar dizer. Brinca com as sílabas, mas é tudo. Ou então sou eu que sou muito exigente.

    Não diz “papa”, nem “quero”, nem “bolacha,” nem “pão”, nem “gato”, nem “rua”, nem sequer o famosíssimo “não”, supostamente típico das crianças da idade dele. Ou então… sou eu que sou muito exigente.

    Faz-se entender perfeitamente com gestos: diz que não com a cabeça, pede coisas com um agitar dos dedos, aponta, bate na porta, mas palavras não é com ele. Dizem-me que é assim mesmo, que todas as crianças têm ritmos diferentes e que no verbo é ainda mais assim e que um dia vai começar a falar tudo de uma vez.

    Acredito… se calhar, sou muito exigente.

    Não estou em stress, mas gostava mesmo muito de passar à fase da conversa (pronto, ok, sou muito exigente).

    Em contrapartida, claro, fisicamente o Tiago é um show. Balança-se, pendurado pelos braços, salta, corre, trepa, rebola-se e atira-se. Já come sozinho há muito tempo e está cada vez mais especialista, agora até já agarra nos potes do iogurte para lhes rapar o fundo com a colher.

    Em termos de raciocínio também parece todo no sítio, capaz de completar rapidamente um puzzle de formas geométricas, mesmo que o esteja a ver pela primeira vez. Lá encaixa o quadrado, o círculo, o triângulo e começa mesmo a conseguir encaixar formas mais estranhas, como hexágonos.

    Também parece conhecer a maioria das letras e dos números, pelo nome e só não tenho a certeza que compreenda as cores. O melhor mesmo, é que se diverte com tudo isto: vai buscar livros e aponta para tudo para que lhe digamos como se chama: aponta para os personagens, para os objectos e para as letras do título, uma a uma.

    Depois se lhe perguntamos onde está um “T” ele procura e aponta e fica muito orgulhoso e bate palmas.

    2008 foi também mais um ano de luta com a comida e também aqui o Tiago teve grande influência, claro. Desde sempre incapazes de ter refeições organizadas, assim continuámos, lamento constatar.

    O Tiago tem sempre comida, nunca se acaba a sopa, a carne ou o peixe. Muitas vezes é graças à avó - não que eu deixasse acabar a comida dele; mas a carne assada da avó é uma grande e bem-vinda salvadora.

    Aliás, muitas vezes só janto porque tenho o frigorífico cheio de comida feita pela minha mãe. Continua a ser um assunto que me preocupa frequentemente, mas que ainda não consegui resolver de forma eficaz.

    Suponho que os Evangelistas da Bimby tenham algo a dizer, mas ainda ninguém me convenceu que vale a pena gastar 900 euros, mesmo que às mijinhas.

    Em 2008 tornei-me cliente Meo, sem arrependimentos, devo dizer mas o produto que mais me entusiasmou neste ano que agora findou foram, sem dúvida, as batatas fritas Lay’s Gourmet.

    Não tenho dúvidas de que são as melhores batatas fritas de pacote que jamais comi e que nenhum produto do género actualmente no mercado se lhes compara. Está quase a fazer um ano que conheci estas magníficas batatas e continuo completamente fanático das ditas. Compro aos seis pacotes de cada vez, cada um vale cerca de 1000 kcal e é um esforço danado para não as comer todas assim que chego a casa.

    Na política tivemos a cedência de posição contratual de Fidel Castro para o seu jovem irmão, Raul, em Cuba. Nos Estados Unidos, já para o fim do ano, Barack Obama venceu as eleições presidenciais do Mundo Livre e, mais importante que tudo isto, os nossos vizinhos brasileiros mudaram-se, evitando assim uma crise internacional de proporções calamitosas.

    A crise internacional veio sob a forma de banqueiros que andaram anos a brincar com o nosso dinheiro até começarem a ir à falência em massa. Os Estados começaram a injectar milhões e milhões para salvar os pobrezinhos dos ricos enquanto nós, os do costume, cocávamos a cabeça e nos perguntávamos porque é que esse dinheirinho nunca escorre na nossa direcção. Terminou-se o ano em crise económica, como se isso não acontecesse desde que me lembro de ter memória; mas desta vez “é a sério”.

    Este blog fez nove anos, o que parece muito, mas não é tão impressionante como os dez que vai fazer em 2009 e os Especialistas, esses sim, com dez anos, arrancaram novamente, com o apoio do SAPO.

    Em 2008 morreram George Carlin e Richard Wright, Portugal “perdeu” o Europeu e o novo Batman e o novo Indiana Jones foram uma desilusão. Mas fiz dez anos de casado, comprei uma Wacom Cintiq e o Benfica foi campeão.

    OK, o Benfica não foi campeão.

    Mas em contrapartida, ia ficando sem um dedo, que entalei numa porta de ferro do elevador do meu prédio. Ficar com um dedo entalado, cortado até se ver o osso é bem melhor do que ver o Benfica jogar - por exemplo, ainda este fim de semana perdeu a liderança do campeonato para os labregos do costume, perdendo contra o último classificado - o Trofense - por 2-0.

    Embora o ano tenha acabado mal, com montes de problemas domésticos e comigo doente, de cama, durante todo o natal, o ano teve um balanço positivo, muito ajudado pela presença, nas nossas vidas, do nosso filho Tiago que consegue, mesmo quando estamos arrasados, arrancar-nos um sorriso.

    E pronto, chega de resumir 2008 que o post já vai longo. Arranquemos para 2009.

    Siga!

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    Passagem de ano 2008/09

    January 1st, 2009 by Pedro Couto e Santos

    Depois de um natal para esquecer, chegou o último dia do ano. Não devo ser o único a dizer que a passagem de ano não tem grande significado, um ano ou uma semana, tanto faz… às vezes é de um dia para o outro que a nossa vida muda. Mas nada disso é muito importante se temos um motivo para juntar a família toda, comer, beber, mandar umas bocas e divertirmo-nos.

    Na passagem de ano 2007/2008, o Tiago ainda era muito pequeno - estava com pouco mais de nove meses - e portanto, por volta das nove da noite fomos para casa, para o deitar e pronto.

    Este ano, o Tiago esteve imparável! Comeu à mesa com toda a gente, com ajuda de umas almofadinhas para o levantar na cadeira; embora tenha praticamente apenas comido batatas fritas e arroz, ainda provou um bocado de frango e no fim fez-se ao leite de creme com farófias.

    Embora o jantar tenha começado à hora em que ele normalmente está a ir para a cama, o gajo estava óptimo, desperto e bem disposto.

    E assim ficou quando levámos a festa para a sala dos meus pais, onde estivemos a jogar Buzz na PS3 dos Bintxos enquanto o Tiago dava voltas, piruetas e saltos, sempre bem dispostíssimo, com a ocasional traulitada na cabeça, mas sem incidentes graves.

    Este ano, para impulsionar o Metro do Sul do Tejo, a CM de Almada decidiu organizar a festa de passagem de ano em Cacilhas. E que excelente ideia! Bem que o podiam já ter feito há mais tempo.

    Claro que, apesar de Cacilhas ser um centro de transportes da cidade e mesmo do concelho, com um terminal de autocarros, do metro, cais de cacilheiros e até uma praça de táxis, o pessoal decidiu vir de carro na mesma. Muitos, passaram o ano encravados no trânsito, como é evidente.

    As pessoas na rua eram às centenas - nunca tinha visto tanta gente na avenida. E um dos batelões de onde foi lançado o fogo de artifício estava mesmo centradinho em frente à janela do sexto andar onde vivem os meus pais. Tivemos, portanto, espectáculo da primeira fila.

    O fogo de artifício foi bestial e o Tiago assistiu a tudo sem se assustar, apesar das explosões verdadeiramente apocalípticas de alguns dos foguetes.

    Depois da meia-noite, ainda trocámos umas prendas e o Tiago acabou por ir para a cama já à uma da manhã. Foi uma passagem de ano em cheio, que mostra que, de facto, uma criança bem disposta pode trazer nova diversão a uma celebração já sem grade significado para um monte de adultos cansados.

    O Martim também lá esteve, claro, mas ainda é muito pequeno. Acredito que para o ano faça a festa com o primo.

    Como nem tudo é um mar de rosas, os ataques de tosse do Tiago mantiveram-nos acordados quase até às cinco da manhã - a ele e a mim, que à mãe ninguém a acordava - mas depois vingámo-nos, dormindo até às 11, pela primeira vez em… anos!

    Em suma, um bom fim de 2008 e um óptimo início de 2009. Agora é sempre a abrir!

    Espero que tenham todos um excelente 2009 com todas as coisinhas que desejem e as pessoas de quem gostam. Cheers!

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    Natal 2008

    December 29th, 2008 by Pedro Couto e Santos

    Tenho estado a tomar balanço para escrever este post. É uma espécie de conto de natal; se forem religiosos, podem assustar as vossas crianças contando a história “daquele ateu que um dia ficou sem natal, porque deus o castigou”. Sei que os tipos religiosos gostam disso: deuses castigadores. E de meter medo a crianças, claro.

    Mas adiante.

    No dia 23, depois de um dia mal passado, lá ganhei coragem para fazer a viagem de regresso. Calculei que estaria cheio de cólicas mais ou menos em frente à D. Fernando II e Glória e acertei na mouche. Peguei no telefone e liguei para a Dee para ver se ela me distraía com small talk. Fui-a ouvindo falar, tentando concentrar-me no que dizia e andando, com alguma dificuldade.

    Cheguei a casa já bastante mal e nem era só a diarreia, mas todo um mal-estar e desconforto típicos daquela coisa de “estar doente”. As cólicas eram diabólicas e não digo isto apenas por dar um bom slogan: eram mesmo.

    Deitei-me na cama, nesse início de noite de dia 23 e, tecnicamente, só me voltei a levantar no dia 26. O resto foi… bom, citando Barney: Legen…wait for it, wait for it… dary!

    Na noite de 23 para 24 as coisas complicaram-se. A minha temperatura saltou para 38,6 graus e sempre que saía da cama voltava a bater os dentes que nem castanholas o que poderia ser útil se o Joaquín Cortés ainda vivesse cá em casa, mas felizmente não tínhamos cá azeite suficiente para ele por no cabelo, portanto o gajo foi-se embora em Abril.

    A certa altura consegui arranjar posição para adormecer, após mais um dos ataques de tosse medonhos do Tiago e lá me afundei em terras do Sandman.

    O despertar às quatro da manhã foi como ser acordado por um pontapé de Dr. Martens nas entranhas, mas por dentro. Corri para a casa de banho e assumi a posição mas ainda não sabia que o meu estômago também queria participar na festa.

    Claro que não comia nada há horas e portanto tive que estar ali a tentar relaxar enquanto o estômago tentava expulsar coisa nenhuma em contracções violentas que, diga-se de passagem, eram completamente desnecessárias. Às vezes não compreendo os meus órgãos, mas enfim…

    Podia descrever aqui o resto da noite, hora a hora, mas não vale a pena; basta dizer que piorou, dentro do mesmo estilo: dores abdominais do catano, diarreia do camandro, vómitos secos do catrino. Uma festa digna da época!

    O dia 24 foi inteiramente passado na cama, o único sítio onde conseguia estar porque tinha muitas dificuldades em aguentar-me de pé, quer por mal-estar e fraqueza gerais, quer porque as dores aumentavam significativamente nessa posição tão Homo Sapienzesca.

    Chegada a hora de partir para o jantar de natal em Palmela, claro, fiquei. O meu sogro fez o favor de levar a Dee e o Tiago, para que não ficassem privados da sua noite de natal.

    Por esta altura já tinha, claro, tomado montanhas de medicamentos e estava, inclusivamente, a tomar antibiótico, não fosse isto ser qualquer coisa bacteriana. Mas tudo indicava que fosse uma valente virose, provavelmente contraída nessa magnífica instituição que transcende nações que é o Transporte Público Colectivo.

    A minha noite de natal foi muito deprimente. Não há outra maneira de descrever a coisa. Passei-a na cama, com dores de barriga e de estômago, a ouvir música baixinho no Mac (santa last.fm!), com a luz apagada porque me incomodava se estivesse acesa, a tentar sorver um soro bebível por uma seringa, aos poucos, não porque não pudesse simplesmente beber do copo, mas porque até beber água me punha mal disposto e à beira de vomitar; assim, a conta-gotas, ainda ia e era importante para evitar a desidratação.

    Nos outros apartamentos ouvia-se as pessoas sentadas à mesa a conversas, copos a tilintar, talheres, pratos, cadeiras, miúdos na galhofa. Só para deprimir ainda mais um gajo!

    O tempo todo, como não podia deixar de ser, os meus pais trataram de mim mas sempre sem grande possibilidade de acelerar o processo: havia que ter paciência e esperar que passasse. Fui consumindo Imodiums e Ultra Levures, Motiliums e Ben-u-rons para a febre e… a coisa não se foi compondo.

    Ao início da noite de 24 estava ainda pior.

    A Dee e o Tiago voltaram por volta da meia-noite e eu passei outra noite extremamente desagradável e comecei, aos poucos, a perder a esperança de poder ir ao almoço de natal em casa dos meus pais e à respectiva Grandiosa Troca de Prendas, ao fim da tarde.

    E foi o que se passou: mais uma vez incapaz de me manter de pé mais do que o tempo que levo entre a cama e a casa de banho, passei o dia 25 na cama. Por esta altura, já tinha menos 2 kg, no total, devo ter perdido quase 3.

    Foi mais um dia deprimente à brava. Temos sempre uma espécie de natal duplo: jantar e prendas em Palmela, com a família da Dee no dia 24 e almoço e mais prendas com a minha família, em Almada, no dia 25. Este foi o segundo natal do Tiago, mas no anterior ele tinha apenas 9 meses e pouco ligou; desta vez achou muito mais piada, divertiu-se, rasgou embrulhos e eu estive enfiado na cama, num estado de semi-estupor, ocasionalmente caindo na inconsciência sem saber bem como e com um horrível sabor a podre na boca - no fundo, um dia na vida do Jorge Palma - mas porra, não podia ter sido em qualquer outra altura do ano? Tinha logo que ser no natal? Olha mas que foda-se, hein?!

    Finalmente, no dia 26 senti-me melhor, embora ainda bastante débil e recomecei a comer. Andei um bocado pelos cantos, abri as prendas, todas fantásticas, como sempre e acho que não só andei de pé, como me cheguei a vestir. Só no dia 28, cinco dias depois, é que as dores abdominais pararam.

    E pronto, foi assim o meu natal em 2008. Espero que tenham tido um bem melhor que o meu se bem que sei que, algures no mundo, algumas pessoas tiveram, certamente, um bem pior.

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    É oficial: o Universo odeia-me

    December 23rd, 2008 by Pedro Couto e Santos

    Depois de ter escrito aquele post ontem, sobre o mês infernal, ainda não sabia o que me estava reservado para hoje. Acordei cedo e quase imediatamente deu-me uma dor de barriga… corri para a casa de banho.

    Depois fui comer e tive que correr para a casa de banho novamente e depois, novamente, uma terceira vez.

    Culpei a comida chinesa da noite anterior. Tomei banho, vesti-me e preparei-me para sair, sempre bem, sem problemas e considerei o caso arrumado.

    Agora, são quase seis e meia e estou no escritório, sete idas à casa de banho mais tarde, já com dois Imodiums no bucho, à espera que façam o efeito desejado para poder ir para casa. É que, neste estado diarreico, não me arrisco a fazer a hora de caminho até casa de transportes públicos sem acesso a casas de banho.

    …mas que dia de merda!

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    É natal, mês infernal

    December 23rd, 2008 by Pedro Couto e Santos

    Foi no passado dia 24 de Novembro que tudo começou. Já andava cansado de não ter férias desde meio de Agosto e estava mais ou menos à espera de um mês de Dezembro relativamente calmo até chegar aquela semana final em que ia ter uns diazinhos.

    Foi nessa segunda feira que ouvi, pela primeira vez, o esquentador ventilado dos vizinhos de cima a empurrar gases queimados para nossa casa. Foi a primeira vez que o esquentador se apagou repetidamente durante o banho da Dee. Foi quando o mês infernal começou.

    Na véspera de natal, quando nos sentarmos a jantar com a família, provavelmente bacalhau, fará um mês e praticamente nada está resolvido.

    Uns dias antes de começar esta saga, tinha sido o Codebits e eu tinha passado a semana inteira sem pregar olho. Achava que estava cansado na altura, agora estou física e mentalmente falido.

    Tapámos o buraco na parede da cozinha, o vizinho de cima abriu um na dele e não ficou convencido que o problema seja ali, é possível que a chaminé esteja obstruída no décimo andar. Entretanto “mete-se o natal e…”; pois… e…

    Depois de jiga-jogas infernais com esquentadores, chaminés e maçonaria, estando já stressados q.b., veio a vizinha de baixo bater à porta porque tinha uma infiltração. A dita já vinha da aventura do anormal que nos montou a banheira, pelos vistos tão mal que estava a passar água não só para a vizinha do sétimo, como também para a do sexto.

    Foi-se para o seguro, veio o perito e pediram-se orçamentos, todos tardaram, mas chegaram. Todos parecidos. A seguradora aceitou e já está a tratar do pagamento.

    Entretanto, desde o dia 4 de Dezembro que não tomo um duche. São banhos de gato, ou chuveiradas tímidas, sentado no fundo da banheira, tentando que não caia água para a fenda que passa para os vizinhos de baixo.

    Ando lavado, a higiene não é problema, mas nunca pensei que sentisse tanta falta de um bom duche quente. É que mesmo que pudesse chapinhar muita água na banheira, não posso usar água quente durante muito tempo, por causa do problema do esquentador.

    No entretanto, a tomada que alimentava as nossas máquinas de lavar, ardeu e, embora a tenha substituído, algo não ficou bem, porque o circuito que dali saia para alimentar o ar condicionado da sala, deixou de funcionar.

    Já teria visto o que se passa, não fosse termos armários construídos na parede, cobrindo a caixa de derivação do dito circuito.

    Como temos o tal problema de gases na cozinha, a janela está sempre aberta.

    Está um frio do caneco, a janela está sempre aberta, o ar condicionado na sala não tem alimentação e o nosso quadro eléctrico, que nunca estoira com nada, estoira quando ligamos o aquecimento a óleo na sala.

    A minha mulher tem sido impecável com todos estes assuntos, já que é ela que está em casa, tirando alguns telefonemas para a gestão do condomínio e o senhorio do andar de cima que fiz eu, ela tem tratado de tudo.

    Mas por muito que tenha tentado, não conseguiu ainda ter nada resolvido. É que… “mete-se o natal, e…”

    Em Portugal, há pelo menos dois meses que mais valia caírem do calendário: Agosto, porque “metem-se as férias” e Dezembro, porque “mete-se o natal”. Não sei se em Junho não se meterão os santos populares e em Março ou Abril, a Páscoa… ou talvez seja sempre assim tão difícil ter reparações feitas em casa.

    Não bastando tudo isto, deu-me uma coisinha má (termo técnico), nas costas, há uma semana atrás e estive uns dias quase sem me poder mexer. Agora já me mexo, mas acordo todo partido, diariamente e com uma dor de cabeça digna de Louis XVI.

    O Tiago parece estar com tosse há seis meses (é menos, mas é o que parece), e dormir uma noite seguida cá em casa, tornou-se a excepção e não a regra.

    No meio disto tudo, estou-me perfeitamente marimbando para o natal e já as fériazinhas de uma semana que vêm a seguir já me cheiram a esturro… sinceramente, apetece-me fugir. De preferência para um hotel de cinco estrelas no Tahiti.

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